A liberdade de expressão é um dos direitos constitucionalmente previstos mais importantes conferidos a todos nós, cidadãos e cidadãs. Garante ele que possamos nos manifestar livremente. Podemos publicamente apoiar ou criticar autoridades públicas, podemos livremente produzir conteúdo artístico e cultural, podemos cantar, nos reunir e sair às ruas para defender aquilo que para nós é importante ou manifestar nosso descontentamento perante o que nos desagrada. Podemos escrever, gravar vídeos, fazer publicações em redes sociais, iniciar campanhas e manifestos. Podemos quase tudo. O limite, e esta é a régua constitucional, é a Lei. O limite da liberdade de expressão é e sempre será o limite que a lei impõe.

Sob o confortável e muitas vezes covarde ambiente virtual, vimos nos últimos tempos em nosso país reputações serem destruídas, narrativas serem criadas e notícias sabidamente falsas circuladas para milhões de pessoas.

Felipe Neto é um comunicador; se comunica de várias formas, e nas mais variadas plataformas. Seja em vídeos de entretenimento em seu canal do Youtube, que hoje conta com mais de 39 milhões de inscritos, como também em outras redes sociais, como o Instagram e o Twitter. Neste último, especificamente, Felipe vem desde um passado recente se posicionando, tendo garantido seu livre exercício da liberdade de expressão, nos mais variados temas que a ele parecem relevantes. São pautas voltadas ao combate ao racismo, ao machismo, à violência, pautas de inclusão social, de garantia de direitos básicos às minorias e, inclusive, manifestações de oposição ao atual Governo Federal.

O cidadão Felipe Neto tem o direito, como todos nós temos, de se posicionar. Concordemos ou não com suas manifestações e posições, fato inconteste é que está ele protegido por nossa Constituição Federal.

Todos, ao assumirmos publicamente nossas posições, certamente estamos fadados a críticas, questionamentos e debates, muitas vezes acalorados. O que não podemos jamais admitir é que, sob o pretexto de contestar o posicionamento de alguém, se cometa um crime.

É aí que mais uma vez aparece nossa régua constitucional. Criticar e não concordar com o posicionamento do comunicador Felipe Neto é um direito tão garantido quanto o dele de se posicionar. Mas da crítica para a prática de um possível crime temos um salto extremamente perigoso a se dar. E é por isso que nós, instituições, associações e organizações abaixo assinadas, nos posicionamos neste momento.

Nos últimos dias pudemos observar a intensificação de uma campanha organizada e estruturada contendo informações comprovadamente falsas, com o intuito de prejudicar a imagem de sua pessoa. Mais do que isso, algumas informações circuladas em redes sociais e aplicativos de mensagens contém frases e posicionamentos atribuídos a Felipe Neto sem que ele em momento algum os tenha manifestado.

A intenção desta campanha difamatória ultrapassa, e muito, os limites da crítica, os limites protegidos pelo constitucional direito de se expressar, ao atribuir a Felipe Neto ações que inclusive podem constituir a prática de crimes.

A título de exemplo, e por mais que o uso desses exemplos possa causar repulsa, vem sendo atribuída ao comunicador as frases: “Criança é que nem doce, eu como escondido” e “A culpa da pedofilia é dessas crianças gostosas”.

Não pode haver, sob um regime democrático, e em um ambiente que se respeite as regras de um Estado Democrático de Direito, a produção deste tipo de conteúdo sabidamente falso com o fim de macular a imagem de alguém.

Portanto, nós, abaixo assinados, muito mais do que apoiar, e fazer valer o direito conferido a todos nós de livre manifestação, alertamos para os perigos da divulgação de falsas e fraudadas informações com quaisquer que sejam os seus objetivos.

Somos ainda uma jovem democracia e precisamos aprender a respeitar opiniões contrárias e que, ao divergir delas, o façamos com o mais intransigente e absoluto respeito às leis. Não há posicionamento suficientemente contrário àquilo que parte da população pense que justifique uma estratégia tão vil e ilegal na tentativa de se atingir a honra e respeitabilidade de um cidadão.

Assinam esta nota:

  • 342 Artes
  • ABI - Associação Brasileira de Imprensa
  • ABJD – Associação Juristas pela Democracia
  • ABRAJI – Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo
  • AJD - Associação Juízes para a Democracia
  • Aliança Nacional LGBTI +
  • Amarc Brasil – Associação de Rádios Comunitárias
  • Artigo 19
  • Associação Quatro Cinco Um
  • BASTA!
  • CAUSE
  • Centro Acadêmico 22 de Agosto – Direito PUC/SP
  • Centro Acadêmico XI de Agosto – Direito USP
  • Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé
  • Direitos Já! Fórum pela Democracia
  • Esporte pela Democracia
  • Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação
  • IBIDEM - Instituto Beta. Internet & Democracia
  • IDDD - Instituto de Defesa do Direito de Defesa
  • Instituto e Se Fosse Você?
  • Instituto Igarapé
  • Instituto Vladimir Herzog
  • Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social
  • IP.rec - Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife
  • Movimento Agora
  • Movimento Estamos Juntos
  • Movimento Literatura e Liberdade
  • MST- Movimento dos Trabalhadores Sem Terra
  • Observatório de Liberdade de Imprensa da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)
  • Política Viva
  • Prerrogativas
  • Redes Cordiais
  • SASP - Sindicato dos Advogados do Estado de São Paulo
  • UBE - União Brasileira de Escritores
  • UNE - União Nacional dos Estudantes